© Orlando K Junior/Divulgação
Evento integra as celebrações mundiais do Ano de Andrzej Wajda e apresenta uma curadoria que traça um paralelo entre a obra do cineasta e a gênese do Cinema Novo
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O grande intérprete da alma polonesa e um dos realizadores mais influentes da história da sétima arte será celebrado em São Paulo. Entre os dias 14 e 16 de agosto, a Cinemateca Brasileira recebe a mostra Andrzej Wajda: O Romântico, uma parceria com a Embaixada da Polônia, o Consulado Geral da Polônia e a distribuidora polonesa Manãna. O evento integra a programação do Ano de Andrzej Wajda, que marca simultaneamente o centenário de seu nascimento e o décimo aniversário de sua morte, prestando uma grande homenagem internacional ao diretor.
A mostra apresenta uma seleção criteriosa de seis filmes do mestre, propondo um diálogo direto e fascinante com obras e figuras icônicas do cinema brasileiro. Para o espectador nacional, a palavra "romantismo" costuma evocar paixão e idealismo, mas para compreender Wajda, é preciso entendê-lo como uma força dramática: o confronto entre o indivíduo e o destino, o sacrifício e a busca da beleza em meio às ruínas da história.
A curadoria destaca essas ressonâncias entre a cinematografia polonesa e a brasileira por meio de aproximações singulares. A solidão urbana, por exemplo, é explorada em FEITICEIROS INOCENTES (1960), que retrata uma juventude marcada pelo isolamento. Já a relação entre arte e luto guia TUDO À VENDA (1968), uma elegia realizada após a morte do ator Zbigniew Cybulski.
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A visão implacável sobre a metrópole apresenta a Łódź industrial em TERRA PROMETIDA (1974). Wajda se debruça sobre a desconstrução do herói na sátira CAÇA ÀS MOSCAS (1969), que desmonta o heroísmo masculino por meio do humor. As reflexões sobre o tempo, a memória e a nostalgia conduzem, com delicadeza poética, AS DONZELAS DE WILKO (1979). Fechando a seleção, o conflito entre técnica e inspiração pauta O MAESTRO (1980), que explora o universo musical.
A obra de Wajda continua atual porque demonstra que o romantismo significa enfrentar os grandes dilemas da existência, debatendo liberdade, memória e história, transformando o cinema em um espelho da condição humana. No Brasil, é notável um paralelo de sua obra com a gênese do Cinema Novo. Cineastas como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Leon Hirszman encontraram no diretor e na Escola Polonesa de Cinema a prova de que um cinema nacional podia ser, ao mesmo tempo, politicamente engajado, inovador e universal, ajudando nossa cinematografia a fortalecer sua vocação metafórica e consolidar uma linguagem própria.
CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana
Horário de funcionamento
Espaços públicos: de segunda a segunda, das 08 às 18h
Salas de cinema: conforme a grade de programação.
Biblioteca: de segunda a sexta, das 10h às 17h, exceto feriados
Sala Grande Otelo (210 lugares + 04 assentos para cadeirantes)
Sala Oscarito (104 lugares)
Espaço Alberto Cavalcanti (Área externa) (300 lugares)
Retirada de ingresso 1h antes do início da sessão
Sexta-feira, 14 de agosto
17h30_ Sala Grande Otelo: Feiticeiros inocentes [Niewinni czarodzieje – 1960, 83 min]
20h_ Sala Grande Otelo: Tudo à venda [Wszystko na sprzedaż – 1968, 94 min]
Sábado, 15 de agosto
15h_ Sala Grande Otelo: Caça às moscas [Polowanie na muchy – 1969, 104 min]
17h30_ Sala Grande Otelo: Terra prometida [Ziemia obiecana – 1974, 162 min]
Domingo, 16 de agosto
15h_ Sala Grande Otelo: As donzelas de Wilko [Panny z Wilka – 1979, 116 min]
17h30_ Sala Grande Otelo: O Maestro [Dyrygent – 1979, 102 min]
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