quinta-feira, 28 de maio de 2026

CONPRESP aprova tombamento de três terreiros de religiões de matriz africana em São Paulo

 

A decisão reconheceu o valor histórico, cultural, religioso e cultural durante a 844ª Reunião Ordinária realizada em 25 de maio de 2026

Procissão Águas de Oxalá pelas ruas de Cangaíba.
(Acervo do Abassá, s/d)

São Paulo, maio de 2026 - O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo da Prefeitura de São Paulo, aprovou, durante a 844ª Reunião Ordinária realizada em 25 de maio de 2026, o tombamento de três importantes terreiros de religiões de matriz africana da capital paulista.
 

A decisão reconhece o valor histórico, cultural, religioso e social do Ilê Dara Asè Òsún Eyin, em Sapopemba; do Ilê Asé Omo Igbo Omi, em Ermelino Matarazzo; e do Terreiro de Candomblé Abassá Oxum Oxóssi, no Cangaíba.
 

Os processos de tombamento foram elaborados pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) e consideram os terreiros como referências culturais fundamentais para a preservação das tradições afro-brasileiras na cidade de São Paulo. Entre os critérios adotados estão a continuidade das práticas religiosas, a preservação da estrutura simbólica e religiosa do terreiro e arquitetura sagradas, a atuação comunitária e o papel histórico dessas casas no enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa.
 

O CONPRESP destacou, nas resoluções aprovadas, a contribuição das religiões de matriz africana para a formação cultural brasileira e o papel dos terreiros enquanto espaços de acolhimento, construção identitária, preservação da memória e resistência das culturas afro-brasileiras nas dinâmicas urbanas da cidade.
 

Entre os espaços reconhecidos está o Ilê Dara Asè Òsún Eyin, fundado pelo Babalorixá Pai Cido de Oxum, referência do candomblé queto em Sapopemba desde os anos 1980.
 

O terreiro também se destaca pela atuação de Pai Cido na difusão da cultura afro-brasileira por meio de rádios, jornais, livros e registros sonoros dos cânticos dos orixás.
 

O Ilê Asé Omo Igbo Omi, liderado por Mãe Izis de Logunedé, foi reconhecido pela preservação de elementos da tradição iorubá, pela configuração arquitetônica inspirada nos compounds tradicionais africanos e pela integração entre práticas do candomblé e da umbanda.
 

Já o Terreiro de Candomblé Abassá Oxum Oxóssi, fundado por Mãe Caçulinha e atualmente conduzido por Mãe Kátia, representa a preservação da tradição angola na cidade de São Paulo e a trajetória histórica de mulheres negras na consolidação do candomblé paulista.
 

As resoluções aprovadas pelo CONPRESP garantem a preservação dos espaços sagrados utilizados para culto e reconhecem os terreiros como patrimônios vivos, respeitando as transformações necessárias para a continuidade das práticas religiosas e comunitárias.

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