domingo, 26 de julho de 2026

Sesc Santo Amaro reúne programação de artes cênicas para todas as idades, em agosto


No cardápio de atrações, espetáculos de teatro e circo, que integram os projetos “Palco Giratório” e “Festi MAM 

No Coração da Lua_Foto_Brunno Martins 

 


 

A programação de artes cênicas em agosto, conta com espetáculos circenses e teatrais, adultos e infantis: o Palco Giratório, projeto nacional de circulação de artes cênicas, criado em 1998, traz duas atrações que celebram essa vertente, enquanto a 7ª edição do FESTI MAM – Festival de Mão a Mão reúne uma programação para todas as idades, reafirmando a ideia de que o circo acontece no encontro entre artistas e público. 

 

Neste ano, o Palco Giratório apresenta os espetáculos: No Coração da Lua, nos dias 22 e 23/8, sábado e domingo, às 15h, abordando temas como infância e saúde mental, por meio da história de Luana, uma menina que passa a lidar com sentimentos desconhecidos e, ao lado do amigo Juca, embarca numa jornada de autoconhecimento; com uma linguagem lúdica, a montagem convida o público a refletir sobre emoções, medos e formas de expressão na infância; já a A Maçã, nos dias 27 e 28/8, quinta e sexta, às 20h, traz à tona, a vida de um mágico acometido de Alzheimer, que passa a sofrer de perdas repentinas de memória, desorientação e dificuldade de desempenhar tarefas habituais. 

 

A arte circense chega com o FESTI MAM (Festival de Mão a Mão), com os espetáculos: Portô, no dia 13/8, quinta, às 20h, solo de circo de Dyego Yamaguishi, que explora desafios de equilíbrio e precisão, seguido de bate-papo com o artista. Para o público infantil, Mão a Mão Para Crianças, em 16/8, domingo, às 14h30, propõe a experimentação de habilidades como equilíbrio, força, apoio e cooperação por meio de práticas corporais. No mesmo dia, às 16h, o espetáculo João Pede Feijão apresenta uma releitura livre do conto João e o Pé de Feijão, combinando palhaçaria e acrobacia de solo, para abordar temas como fome, desigualdade social, generosidade, compaixão e amor. 

 

Mais informações sobre a programação: 

 

[circo] Portô 

Dia 13/8, quinta, 20h. Teatro. Livre. Grátis 

Na técnica “mão a mão”, Portô é a pessoa responsável por fornecer bons apoios, carregar e cuidar da pessoa que está na função de volante, quem fará as acrobacias, os voos e buscará os apoios fornecidos pelo Portô. A criação de Portô, que partiu de uma pesquisa coletiva com pessoas nesta função colocando-a no foco, com destaque não usual na cena teatral circense.  

Com Dyego Yamaguishi 

 

[circo] Picadeiro de Criação: experimento cênico 

Dia 15/8, sábado, 17h. Convivência. Livre. Grátis. Sem retirada de ingressos. 

Encontro aberto ao público, que compartilha etapas de criação, investigações corporais e possibilidades cênicas desenvolvidas no processo. 

 

[circo] Mão a Mão Para Crianças 

Dia 16/8, domingo, 14h30. Sala de Práticas Corporais. 6 anos. Grátis. Sem retirada de ingressos. 

Oficina prática da técnica mão a mão, que propõe a experimentação de habilidades como equilíbrio, força, apoios e cooperação, por meio de práticas corporais realizadas em dupla. A atividade é coordenada pelo Duo Mano a Mana, coletivo especializado em técnicas acrobáticas colaborativas. 

 

[circo] João Pede Feijão 

Dia 16/8, domingo, 16h. Teatro. Livre.  

Ingressos: R$40 (inteira), R$20 (meia entrada) e R$12 (credencial plena), crianças até 12 anos, grátis. Ingressos pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou nas bilheterias das Unidades 

Espetáculo de circo livremente inspirado no conto de fadas João e o pé de feijão, utiliza técnicas circenses como palhaçaria, mastro chinês, perna de pau e acrobacia de solo, que abordam, de forma lúdica, questões como a fome, a miséria e a desigualdade social, além de sentimentos nobres, como a bondade, a generosidade e o amor. 

 

[circo] Varieté 

Dia 16/8, domingo, 17h. Convivência. Livre. Grátis. Sem retirada de ingressos. 

Artistas consolidados na técnica em diálogo com artistas que estão renovando a cena e inovando o picadeiro, conta com a premiação de destaques na técnica pela sua capacidade multiplicadora e de manutenção de memória do circo.  

 

[teatro] A Maçã 

Dias 27 e 28/8. Quinta e Sexta, às 20h. Livre. 60 min. Teatro 

Ingressos: R$40 (inteira), R$20 (meia entrada) e R$12 (credencial plena), crianças até 12 anos, grátis. Ingressos através do aplicativo Credencial Sesc SP ou nas bilheterias das Unidades 

Loucura e genialidade encontram-se na persona de Nicolau Souberdes, outrora um grande artista, hoje fora de cena, desprezado por seu público e frequentemente confuso e desorientado. De forma lúdica e com incríveis efeitos de mágica, William Seven vive as mazelas da vida de um homem com Alzheimer. 

 

[teatro] No Coração da Lua 

Dias 22 e 23/8. Sábado e Domingo, às 15h. Livre. 60 min. Teatro 

Ingressos: R$40 (inteira), R$20 (meia entrada) e R$12 (credencial plena), crianças até 12 anos, grátis. Ingressos através do aplicativo Credencial Sesc SP ou nas bilheterias das Unidade 

Luana, uma menina inteligente, alegre e muito ativa que, sem nenhuma causa aparente, acorda se sentindo muito estranha e, com a ajuda de seu grande amigo, Juca, partem numa jornada em busca de respostas; nesta viagem, os dois encontram seres fantásticos, que os ajudam a chegar até aquele que realmente poderá resolver todos os problemas. 

 

  

Sesc Santo Amaro    

 

Rua Amador Bueno – 505 - Santo Amaro, São Paulo (SP)  

 

Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 21h30 | Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h30.  
 

Como Chegar de Transporte Público: 300m a pé da Estação Largo Treze (metrô), 900m a pé da Estação Santo Amaro (CPTM), 350m a pé do Terminal Santo Amaro (ônibus) 
 

Acessibilidade: A praça dá acesso a todos os andares (subsolo | térreo | 1º pav. | 2º pav.) do prédio e aos espaços de atividades por meio de dois elevadores. A Unidade possui banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida, espaço reservado no Teatro e conta com seis vagas especiais no estacionamento 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Neris Rodrigues celebra centenário de Moacir Santos em show gratuito no SESC Pompeia

 

crédito das fotos de Neris Rodrigues - MAUMAU Fotografia

Trombonista, compositora e arranjadora pernambucana apresenta turnê com repertório autoral e homenagem ao maestro   

 

A trombonista, compositora e arranjadora pernambucana Neris Rodrigues chega a São Paulo com a turnê do “Tributo a Moacir Santos – 100 anos”, espetáculo que celebra o centenário de nascimento de um dos nomes fundamentais da música brasileira do século XX. Natural de Olinda, Neris lidera o projeto Neris Rodrigues e O Trombonando, em uma formação instrumental que une frevo, jazz, funk, coco, ritmos afro-brasileiros e referências da música de matriz ancestral. Após imenso sucesso na passagem pelo Rio de Janeiro, ela desembarca no SESC Pompeia no dia 16 de julho, quinta-feira, às 21h, e recebe a participação especial do conterrâneo Zé Cafofinho.  

 

A artista apresenta uma suíte de composições autorais e uma suíte dedicada à obra de Moacir Santos (1926 – 2006), maestro, compositor, arranjador e multi-instrumentista pernambucano reconhecido por sua contribuição decisiva para a música instrumental brasileira, o samba-jazz, o afro-jazz e a renovação harmônica da MPB. Ela leva ao palco um trabalho que parte da tradição musical de Pernambuco, mas se projeta em linguagem contemporânea. Em seu show, o trombone aparece como voz principal de uma pesquisa sonora marcada por pedais, sintetizadores, polifonias e arranjos que aproximam a herança do frevo e das culturas afro-brasileiras de uma escuta atual e afrofuturista.

 

A homenagem a Moacir Santos ocupa lugar central no espetáculo. Nascido em Pernambuco, o maestro construiu uma linguagem própria ao reunir ritmos afro-brasileiros, sofisticação harmônica, jazz e tratamento orquestral. O seu álbum “Coisas”, lançado em 1965, permanece como uma das obras mais influentes da música instrumental brasileira. Para Neris, revisitar esse repertório é também reafirmar a permanência de uma música brasileira inventiva, negra, nordestina e universal.

 

Com mais de duas décadas de atuação em diferentes formações, de bandas populares a orquestras, Neris Rodrigues é bacharel em Música pela Universidade Federal de Pernambuco e tem trajetória ligada ao frevo, à música instrumental e à formação de novos músicos. Já participou de projetos e apresentações com nomes e grupos como Cordel do Fogo Encantado, Maestro Spok, Maestro Edson Rodrigues, DJ Dolores, Sa Grama, Transversal Frevo Orquestra, Orquestra 100% Mulher e Projeto Frevo Negro, entre outros.

 

Como arranjadora, assinou trabalhos para artistas da cena contemporânea, incluindo parcerias em discos de Johnny Hooker. Também liderou o movimento Mulheres Trombonistas do Brasil, defendendo maior presença feminina no ensino da música, nos palcos e na liderança de formações instrumentais.

 

Em “Neris Rodrigues e o Trombonando”, a artista assume o trombone como instrumento de fala, identidade e afirmação. Acompanhada por cinco músicos, ela constrói um show de forte presença cênica e musical, no qual o virtuosismo técnico se soma a uma reflexão sobre território, ancestralidade, negritude e protagonismo feminino na música instrumental brasileira.

crédito das fotos de Neris Rodrigues - MAUMAU Fotografia


  

Formação musical:

Neris Rodrigues – trombone e direção musical

Balbino – piano

Ary Eira – baixo

Leo Correia – guitarra

Percuteria – Gilberto Bala

 

Serviço:

Local: SESC Pompeia - R. Clélia, 93 - Água Branca, São Paulo - SP

Dia e hora: 16 de julho, às 21h

Entrada: gratuita, ingressos pelo site https://www.sescsp.org.br/programacao/neris-rodrigues-e-o-trombonando-pe/  

 

Sesc Santo Amaro apresenta espetáculo circense {Fé}sta, com o coletivo Prot{agô}nistas


A apresentação se transforma num ritual, traçado por quatro pontos inerentes à condição humana: morte, nascimento, união e fé  

{Fé}sta_foto_Sergio Fernandes 


 

No espetáculo {FÉ}STA, a magia circense ganha forma em acrobacias, música ao vivo e dança; em cena, uma celebração que evoca espiritualidade, coletividade e renascimento, marcas do caminhar da população preta, um convite à celebração da vida em sua totalidade, em que cada gesto, salto e acorde é evocado por histórias coletivas que ecoam nas rodas, nos terreiros e nas ruas, espaços onde o povo negro historicamente encontra modos de florescer. 

 

A montagem é um convite a perceber o ciclo da vida, não apenas como passagem, mas como permanência; em gesto político e poético, o circo se torna altar de resistência e beleza, o encontro é renascimento e o corpo negro, em sua travessia, afirma-se como fonte contínua de criação e celebração da forma de existir. 

 

Serviço:
 

{Fé}sta  

30/7, quinta, 20h30 

31/7, sexta, 20h 

1/8, sábado, 19h 

Teatro. Livre. 60 minutos 

Ingressos: R$18 (credencial plena), R$30 (meia entrada) e R$60 (inteira) 

Ingressos pelo aplicativo Credencial Sesc SP, a partir de 21/7 ou nas bilheterias das unidades, a partir de 22/7. 

 

 

 

Sesc Santo Amaro 

 

Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro, São Paulo (SP)  

Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 21h30 | Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h30.  

 

Como Chegar de Transporte Público: 300m a pé da Estação Largo Treze (metrô), 900m a pé da Estação Santo Amaro (CPTM), 350m a pé do Terminal Santo Amaro (ônibus). 

 

Acessibilidade: A praça dá acesso a todos os andares (subsolo | térreo | 1º pav. | 2º pav.) do prédio e aos espaços de atividades por meio de dois elevadores. A Unidade possui banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida, espaço reservado no Teatro e conta com seis vagas especiais no estacionamento. 

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Retrospectiva Joaquim Pedro de Andrade e Federico Fellini ocupa a Cinemateca Brasileira - de 15 a 26 de julho

 

A Cinemateca Brasileira e o Instituto Italiano di Cultura di San Paolo apresentam uma retrospectiva dupla dedicada a Federico Fellini e Joaquim Pedro de Andrade, de 15 a 26 de julho. A mostra propõe aproximar suas obras, explorando afinidades em torno do realismo fantástico e de suas distintas buscas por uma identidade nacional, tanto no plano político quanto no poético.

 

A programação reúne dois cineastas que, em contextos históricos e culturais distintos, transformaram o cinema em um campo de reflexão sobre a imaginação, a memória e a construção das identidades coletivas. Federico Fellini (1920–1993), nascido em Rimini, iniciou sua trajetória como roteirista no pós-guerra italiano e rapidamente se tornou uma das figuras centrais do cinema moderno. Partindo do neorrealismo e suas colaborações com Roberto Rossellini, Fellini desloca progressivamente esse paradigma em direção a uma poética própria, na qual o gesto autobiográfico funciona menos como confissão e mais como estratégia formal.

 

Seu narrador que diz “eu”, frequentemente travestido em alter ego de figuras como Guido ou Marcello, torna-se um dos dispositivos mais eficazes de sua obra. Para o grande público, ele oferece a chave de leitura de um suposto testemunho pessoal contínuo, no qual a subjetividade pareceria garantir uma aura de realidade à mais radical invenção, legitimando incongruências, inverossimilhanças, obsessões e excessos como parte de uma mesma categoria poética.

 

Ao mesmo tempo, essa centralidade do “eu” opera de modo ambíguo: Fellini não afirma simplesmente o individualismo, mas o coloca em crise, justamente em um contexto em que a sociedade contemporânea o exalta ao mesmo tempo em que o dilui em um sistema de consumo e imagens onde as vontades se tornam indistintas. Nesse sentido, sua obra parece resgatar o subjetivismo, mas paradoxalmente sem subjetividade estável: o “eu” não se fixa, se multiplica e se dispersa.

 

Filmes como Os Boas Vidas, A Estrada da Vida, Noites de Cabíria, A Doce Vida, , Amarcord e Julieta dos Espíritos reinventam o realismo ao fazer do sonho, da memória e do espetáculo dimensões inseparáveis da experiência humana. Nesse deslocamento, o que se convencionou chamar de realismo fantástico não aparece como fuga do real, mas como um modo de torná-lo mais legível em sua instabilidade constitutiva: a realidade não é negada, mas revelada como montagem, como delírio partilhado e como encenação contínua do vivido. A imagem, em Fellini, abriga sempre mais possibilidades do que o roteiro consegue prever.

 


No Brasil, Joaquim Pedro de Andrade (1932–1988) surge no contexto do Cinema Novo, movimento que buscava pensar o país a partir de suas contradições sociais, históricas e culturais. Filho do modernista Rodrigo Mello Franco de Andrade, Joaquim Pedro herda também uma tradição intelectual voltada à construção crítica da identidade nacional. Sua obra atravessa diferentes gêneros do cinema brasileiro - do documentário à ficção ensaística, da antropologia à sátira - em filmes como O Mestre de Apipucos, O Poeta do Castelo, Couro de Gato, Garrincha, Alegria do Povo, Cinema Novo, O Padre e a Moça, Macunaíma, Os Inconfidentes, Guerra Conjugal, Vereda Tropical, O Aleijadinho e O Homem do Pau-Brasil. Em todos eles, o Brasil aparece menos como tema fixo do que como problema em construção: uma identidade atravessada por tensões entre modernidade e tradição, erudição e cultura popular, mito e história.

 

Entre Fellini e Joaquim Pedro, as aproximações não se dão por influência direta, mas por afinidades estruturais. Ambos tensionam os limites do realismo cinematográfico, transformando o visível em matéria maleável, permeada por fantasia, alegoria e crítica cultural. Aqui, o realismo fantástico pode ser compreendido menos como gênero do que como procedimento: uma forma de tornar visível aquilo que o realismo estrito não consegue conter: o excesso, o sonho, a memória deformada, a história em estado de ficção permanente. O que parece documento se contamina de invenção; o que parece invenção revela uma dimensão histórica concreta. Se Fellini dissolve o neorrealismo em uma poética do imaginário autobiográfico e coletivo, Joaquim Pedro desloca o impulso programático do Cinema Novo para uma reflexão mais ambígua e crítica sobre as imagens do Brasil, onde o popular, o erudito e o histórico convivem em constante fricção.

 

Há ainda um ponto de contato decisivo na maneira como ambos trabalham a ideia de identidade nacional. Em Fellini, a Itália se apresenta como um teatro de excessos: provinciana e cosmopolita, devota e profana, monumental e grotesca. Em Joaquim Pedro, o Brasil surge como narrativa em disputa, marcada por projetos modernistas, pelo barroco mineiro, pela antropofagia e pelas promessas e fracassos da modernização. Em ambos os casos, a identidade nacional não é essência, mas construção instável, frequentemente irônica e sempre contraditória.

 

Porém, há uma distinção fundamental em suas abordagens. Enquanto Joaquim Pedro investiga o Brasil como problema histórico e projeto intelectual, Fellini desconfia da própria ideia de uma identidade italiana unificada. Herdeira de tradições regionais e de antigas cidades-Estado, a Itália que emerge em seus filmes não constitui um programa político, mas um território afetivo e imaginário. Mitômano, Fellini construiu em torno de si uma persona pública tão poderosa que talvez tenha criado a primeira verdadeira "grife" de autor do cinema moderno: pouco importava se o filme se chamava Satyricon, Roma ou Casanova; o título principal era sempre "de Fellini". Seu nome tornou-se a garantia de um cinema elevado ao estatuto de arte pessoal e intransferível, capaz de desafiar as convenções da narrativa clássica, recusando a progressão dramática baseada na identificação do espectador com as personagens.

 

Se Fellini inventa uma autobiografia imaginária como forma de pensar a Itália, Joaquim Pedro faz da própria cultura brasileira sua matéria de ficção crítica. Seus filmes revisitam e reinventam ícones da cultura brasileira, como Gilberto Freyre em O Mestre de Apipucos, Manuel Bandeira em O Poeta do Castelo, Tiradentes em Os Inconfidentes, Aleijadinho em O Aleijadinho e Oswald de Andrade em O Homem do Pau-Brasil. E também heróis simbólicos e não menos reais e históricos, como Macunaíma, o Vampiro de Curitiba de Guerra Conjugal ou o inacabado Bento de O Imponderável Bento contra o Crioulo Voador. Em sua filmografia, documento e invenção, história e mito coexistem num mesmo plano, produzindo uma ficção crítica do Brasil. Também por isso Joaquim Pedro rejeitava as fórmulas narrativas de Hollywood, especialmente o abuso do plano e contraplano, tratando o posicionamento da câmera e a montagem não apenas como escolhas estéticas, mas como decisões éticas e políticas sobre a maneira de olhar o país.

 

Como Fellini em relação ao neorrealismo italiano, cuja sofisticação, lirismo e aproximação ao realismo fantástico acabaram por deslocar um movimento estético aparentemente incontornável, Joaquim Pedro também ocupa uma posição singular dentro do Cinema Novo. Sua obra não se limita à adesão ao projeto coletivo, mas o reinterpreta a partir de uma linguagem própria, marcada pelo humor crítico, pela montagem reflexiva e por uma constante interrogação sobre as imagens do Brasil.

 

A retrospectiva apresenta cópias restauradas de alguns dos filmes mais importantes dos dois diretores, oferecendo ao público a oportunidade de revisitar esse diálogo imaginário entre Roma e Rio de Janeiro, entre Rimini e Minas Gerais, entre o delírio autobiográfico e a crítica histórica.

 

A Cinemateca contou também com a parceria da FJ Cines, que gentilmente cedeu suas cópias restauradas de A Doce Vida, , Os Boas Vidas e Julieta dos Espíritos.

 

A programação é gratuita e os ingressos são distribuídos uma hora antes das sessões.

 


 


CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana

 

Horário de funcionamento

Espaços públicos: de segunda a segunda, das 08 às 18h

Salas de cinema: conforme a grade de programação.

Biblioteca: de segunda a sexta, das 10h às 17h, exceto feriados

 

Sala Grande Otelo (210 lugares + 04 assentos para cadeirantes)

Sala Oscarito (104 lugares)
Espaço Alberto Cavalcanti (Área externa) (300 lugares)

Retirada de ingresso 1h antes do início da sessão


 

Quarta-feira, 15 de julho

17h30 _ Sala Grande Otelo _ Macunaíma (35 mm)

19h _ Espaço Alberto Cavalcanti _ A Doce Vida (restaurado)

 

 

Quinta-feira, 16 de julho

15h _ Sala Grande Otelo _ A Trapaça
17h30 _ Sala Grande Otelo _ Os Palhaços (35 mm)
20h _ Espaço Alberto Cavalcanti _ Roma de Fellini (restaurado)

 

 

Sexta-feira, 17 de julho

15h _ Sala Grande Otelo _ Abismo de um Sonho
17h30 _ Sala Grande Otelo _ O Homem do Pau-Brasil 
20h _ Espaço Alberto Cavalcanti _ Amarcord

 

 

Sábado, 18 de julho

17h30 _ Sala Grande Otelo _ A Estrada da Vida 
20h _ Espaço Alberto Cavalcanti _ 81/2 (restaurado)

 

 

Quarta-feira, 22 de julho

17h30 _ Sala Grande Otelo _ Guerra Conjugal 
20h _ Espaço Alberto Cavalcanti _ Satyricon de Fellini (restaurado)

 

 

Quinta-feira, 23 de julho

15h _ Sala Grande Otelo _ Ensaio de Orquestra
17h30 _ Sala Grande Otelo _ Os Inconfidentes 
20h _ Espaço Alberto Cavalcanti _ Noites de Cabíria 

 

 

Sexta-feira, 24 de julho

15h _ Sala Grande Otelo _ Entrevista
17h30 _ Sala Grande Otelo _ O Padre e a Moça 
20h _ Espaço Alberto Cavalcanti _ Os Boas Vidas (restaurado)

 

 

Sábado, 25 de julho

15h _ Sala Grande Otelo _ Cidade das Mulheres (restaurado)
18h _ Espaço Alberto Cavalcanti _ O Poeta do Castelo; O Mestre dos Apipucos; O Aleijadinho; Couro de Gato; Vereda Tropical

20h _ Espaço Alberto Cavalcanti _ Julieta dos Espíritos (restaurado)

 

 

Domingo, 26 de julho

15h _ Sala Grande Otelo _ Histórias Extraordinárias
17h30 _ Sala Grande Otelo _ A Linguagem da Persuasão; Brasília, Contradições de uma Cidade; Cinema Novo; Garrincha, Alegria do Povo

20h _ Espaço Alberto Cavalcanti _ E La Nave Va (restaurado)

 

MASP promove oficinas de férias gratuitas para crianças com criação têxtil e ritmos andinos

 

River Claure, Villa Adela, da série Warawar Wawa, 2019, fotografia digital colorida, Acervo MASP

O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand realiza, em julho, duas Oficinas de Férias voltadas a crianças e seus familiares. As atividades propõem vivências lúdicas e coletivas a partir de diferentes linguagens artísticas, estimulando a criatividade, a imaginação e o intercâmbio cultural. A programação é gratuita, no entanto é necessário se inscrever online com antecedência.
 

A artista chilena Macarena Rozic une experimentação têxtil e técnicas de reaproveitamento de tecidos na oficina "Máscaras e seres imaginários". Os participantes são convidados a investigar texturas, formas e cores para compor as máscaras. A vivência também exercita a construção de narrativas visuais, refletindo sobre imaginação, memória, corpo e identidade por meio do fazer manual.

 

A atividade “Cantos e ritmos andinos” será guiada por Jose Giovanni e Sandra Valenzuela, do Grupo LIBERTAT, formado por migrantes indígenas da Bolívia, Brasil e Equador. A vivência musical reúne ritmos tradicionais dos Andes, como huayno (dança presente em festas populares), tinku (ritmo enérgico de origem ritual e comunitária) e cueca (coreografia de cortejo realizada com pares segurando lenços brancos), entre outros gêneros da região. A atividade propõe exercícios rítmicos e corporais, cantos coletivos e dinâmicas de escuta.
 

SERVIÇO

 

11 de julho | Sábado | 10h30

Máscaras e seres imaginários

com Macarena Rozic

A artista chilena Macarena Rozic apresenta conceitos, referências artísticas e exemplos de máscaras em diferentes contextos culturais, rituais e performativos, promovendo uma reflexão coletiva sobre seus significados simbólicos. A atividade incentiva práticas sustentáveis e o olhar sensível para a reutilização de materiais, compreendendo a criação como experiência transformadora.

 

Vagas: 15 crianças (a partir de 8 anos) acompanhadas por responsáveis

Local: 8º andar do Edifício Pietro Maria Bardi, sala 3

Inscrições online
 

25 de julho | Sábado | 10h30

Cantos e ritmos andinos

com Grupo LIBERTAT

Jose Giovanni e Sandra Valenzuela fomentam o conhecimento sobre as tradições musicais andinas de forma lúdica, incentivando a expressão musical e o intercâmbio cultural. O objetivo é promover e valorizar a cultura andina por meio da experimentação artística e da prática coletiva.

 

Vagas: 15 crianças (a partir de 8 anos) acompanhadas por responsáveis

Local: 8º andar do Edifício Pietro Maria Bardi, sala 3

Inscrições online
 

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1510 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

terça-feira, 7 de julho de 2026

Ópera Don Pasquale será apresentada no Theatro São Pedro

 Obra-prima de Gaetano Donizetti terá direção musical de Ira Levin e direção cênica de Lívia Sabag, com récitas nos dias 10, 12, 15, 17 e 18 de julho

Ópera Don Pasquale, de Gaetano Donizetti, no Theatro São Pedro. Crédito: Lucca Mezzacappa

Na sequência da temporada lírica 2026, o Theatro São Pedro, equipamento cultural da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Santa Marcelina Cultura, irá apresentar a ópera Don Pasquale, do compositor italiano Gaetano Donizetti (1797–1848). Com récitas nos dias 10, 12, 15, 17 e 18 de julho, a montagem terá direção musical de Ira Levin, à frente da Orquestra do Theatro São Pedro, e concepção e direção cênica de Lívia Sabag. Os ingressos custam entre R$ 41 (meia-entrada) e R$ 124 (inteira) e estão disponíveis no site do teatro.

 

Escrita no início década de 1840, quando Gaetano Donizetti vivia em Paris, Don Pasquale foi sua última ópera cômica e uma de suas últimas obras. Se em 1839, ao escrever La Fille du Régiment, ele adaptou a peça às exigências do estilo da ópera cômica francesa, em Don Pasquale as raízes são totalmente italianas, com personagens sendo tipos modernizados da commedia dell'arte. A ação se passa em Roma e a história gira em torno de uma premissa cômica clássica: um jovem casal apaixonado planeja frustrar os planos de um velho rico, que deseja se casar com a moça. Para atingir seu objetivo, eles contarão com a ajuda de um astuto estrategista, espécie de “falso amigo” do antagonista da história.

 

Como se pode imaginar, é o amor jovem que triunfa sobre a hipocrisia da velhice. Resolvido o impasse, todos se reconciliam e vivem felizes para sempre. A tensão, portanto, reside nos meios necessários para se atingir o final presumido – uma fórmula que serviu à comédia desde o teatro romano, e que já havia sido explorada na ópera por outros autores, como Mozart e Rossini. Ainda assim, Don Pasquale resulta numa comédia eficiente e original, que demonstra o talento de Donizetti para o humor centrado nos personagens.

 

Don Pasquale, de Donizetti, juntamente com Elisir d'amore, é a maior ópera cômica italiana do século XIX. É uma obra musicalmente mais rica que Elisir, com o mesmo nível de inspiração lírica, mas tecnicamente mais avançada, especialmente em termos de orquestração, o que a torna bastante desafiadora de executar”, destaca o maestro Ira Levin.

 

Don Pasquale se insere na fase madura de Donizetti, com estilo marcado por maior profundidade emocional e sofisticação. O libreto de Don Pasquale foi escrito por Giovanni Ruffini (1807–1881), poeta e patriota genovês que vivia exilado em Paris. Donizetti, contudo, fez tantas alterações no texto que Ruffini se recusou assiná-lo. A orquestração da obra pode ser considerada leve para os padrões modernos, mas certamente não o era para o público que a ouviu pela primeira vez, em meados do século XIX. Isso porque os recitativos são todos acompanhados pela orquestra, ao invés de um cravo (prática mais comum em óperas cômicas do período). Como resultado, há uma passagem mais sutil dos diálogos para as árias e outras partes cantadas.

 

Tal como em sucessos anteriores, em Don Pasquale convivem a beleza lírica e o virtuosismo vocal, muitas vezes exigindo que os cantores executem passagens complexas de coloratura com profundidade emocional. Ao mesmo tempo, as trocas de farpas entre Pasquale e seus antagonistas são equilibradas por momentos tocantes em que Donizetti humaniza o personagem título e nos permite sentir empatia por ele. Da mesma forma que outras de suas óperas (e tal qual faziam outros compositores, a exemplo de Rossini), Don Pasquale foi composta muito rapidamente. Donizetti escolheu o elenco a dedo entre os cantores mais famosos da época, com os quais já havia trabalhado. O compositor conhecia suas habilidades vocais e dramáticas e confiava neles para lidar com o desafiador material vocal que o trabalho representa para os intérpretes.

 

Don Pasquale estreou no Théâtre Italien, em Paris, a 3 de janeiro de 1843 e foi um triunfo pessoal e financeiro para Donizetti, que lucrou com os direitos autorais de apresentações, com vendas da partitura vocal e com arranjos das melodias da ópera. A estreia foi um sucesso estrondoso e, antes do final do ano, Don Pasquale já podia ser vista nos grandes teatros de ópera da Europa. Dois anos depois, cruzava o Atlântico e era apresentada nos EUA e, em 1853, teve sua estreia brasileira no Teatro Provisório, do Rio de Janeiro.

 

Transmissão ao vivo

 

A récita do dia 15 de julho será transmitida online e de forma gratuita pelo canal de Youtube do Theatro São Pedro

 

Don Pasquale

 

Orquestra do Theatro São Pedro

Ira Levin, direção musical

Livia Sabag, concepção e direção cênica

Daniela Gogoni, cenografia

Valéria Lovato, iluminação e cenógrafa associada

Fabio Namatame, figurino

Tiça Camargo, visagismo

Bruno Costa, regente coral

Fabio Bezuti, preparador vocal

Mateus Araújo, assistência de direção musical e preparador vocal

Menelick de Carvalho, direção de movimento e assistência de direção cênica

Ronaldo Zero, direção de palco

 

Rodrigo Esteves, Don Pasquale
Raquel Paulin, Norina
Guilherme Moreira, Ernesto

Santiago Villalba, Dr. Malatesta

Gustavo Lassen, Notário

Chica Portugal, Francesca

 

GAETANO DONIZETTI (1797-1848)

Don Pasquale - 150’

 

Ensaio geral aberto e gratuito: 08 de julho, 19h, Theatro São Pedro

Récitas: 10, 12, 15, 17 e 18 de julho

Quarta, sexta-feira e sábado às 20h; domingo às 17h, Theatro São Pedro

Ingressos: aqui

Plateia central - R$ 62 (meia-entrada) e R$ 124 (inteira)

1º Balcão superior - R$ 51 (meia-entrada) e R$ 102 (inteira)

2º Balcão superior - R$ 41 (meia-entrada) e R$ 82 (inteira)

Classificação etária: 12 anos

Centro Cultural Penha traz shows de rock e reggae com homenagem à Elvis Presley e tributo a Legião Urbana

hows serão realizados nos dias 4, 5, 11 e 12 de julho em comemoração aos Dias do Reggae e Rock

 

Banda Vilões Em Fúria. Foto: divulgação

 

São Paulo, julho de 2026 – Em comemoração ao Dia Mundial do Reggae (1°) e Dia Internacional do Rock (13), o Centro Cultural Penha traz o Penha And Noise Fest, com shows de rock e reggae realizado neste fim de semana (4) e também no próximo (11). O evento é oferecido pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa
 

No sábado (4), quem abre o evento às 20h é o grupo Buena Onda Reggae Club, formado por integrantes de bandas e projetos como Nômade Orquestra, Samuca e a Selva, Black Mantra, Jah-Van, Reggae Little Lions, Leões de Israel e Bloco Kaya Na Gandaia. O grupo realiza uma fusão musical combinando ritmos jamaicanos como ska, reggae, rocksteady e dub com as sonoridades da salsa, jazz, afrobeat, música caribenha e brasilidades.

 

No domingo (5), a partir das 15h, terá uma homenagem a Elvis Presley, um dos maiores astros também conhecido como Rei do Rock, com interpretação do cantor Elvis Matos que traz baladas e grandes sucessos do ídolo, em parceria com a banda CC Riders.

 

No próximo sábado (11), quem anima o centro cultural às 20h, é a banda Monte Castelo, que vai apresentar um tributo para Legião Urbana com um show que também marca os 30 anos da morte do vocalista Renato Russo (de 27/03/1960 a 11/10/1996). A banda é citada como um dos principais tributos no país e na apresentação vão interpretar as músicas “Tempo Perdido”, “Pais e Filhos”, ”Faroeste Caboclo”, “Que País É Este”, “Eduardo e Mônica”, “Será” e outras.
 

Para encerrar o evento, no domingo (12), a partir das 19h, o espaço recece a banda Vilões Em Fúria, formada por músicos conhecidos na cena, como Clemente do Inocentes e Plebe Rude, Robério Santana do Camisa de Vênus e Johhny Monster da Undo e When I Die, que se juntaram para fazer versões acústicas de clássicos do rock internacional e nacional. O repertório musical vai de Bonzo goes to Bitburg (Ramones) e Rockin’ in the free world (Neil Young) a clássicos do Camisa de Vênus, Inocentes, Plebe Rude, David Bowie, Specials, Rolling Stones, The Clash e muito hinos que ficaram registrados em seu DNA.
 

Serviço
 

Atração: Buena Onda Reggae Club

Quando: sábado (4), às 20h

Onde: Teatro Martins Penna, no Centro Cultural Penha - Largo do Rosário, 20

Classificação: Livre

Quanto: Grátis | Retirar ingressos uma hora antes na bilheteria

 

Atração: Elvis Matos | Tributo ao Rei do Rock

Quando: domingo (5), às 15h

Onde: Teatro Martins Penn, no Centro Cultural Penha | Largo do Rosário, 20

Classificação: Livre

Quanto: Grátis | Retirar ingressos uma hora antes na bilheteria

 

Atração: Monte Castelo | Tributo a Legião Urbana e Renato Russo

Quando: sábado (11), às 20h

Onde: Teatro Martins Penn, no Centro Cultural Penha | Largo do Rosário, 20

Classificação: Livre

Quanto: Grátis | Retirar ingressos uma hora antes na bilheteria

 

Atração: Violões Em Fúria

Quando: domingo (12), às 19h

Onde: Teatro Martins Penn, no Centro Cultural Penha | Largo do Rosário, 20

Classificação: Livre

Quanto: Grátis | Retirar ingressos uma hora antes na bilheteria

Peça Única, da House of Hands Up (MS), chega ao Sesc 24 de Maio pela programação do Palco Giratório

      Com nove artistas em cena, espetáculo combina criação coletiva e improvisação em performance marcada pela experimentação e pela afirma...