Gladys Maldaun retrata a memória urbana de São Paulo em nova exposição no Centro Cultural Olido

 

A mostra "Cidade Postal - Pinturas de Gladys Maldaun" convida o público a um percurso visual pelas transformações do centro da metrópole

“Pico do Jaraguá,” 2009, Gladys Maldaun

A memória de uma cidade é um tecido em constante mutação, moldado pelas escolhas de preservação e reconhecimento de sua história coletiva. Em São Paulo, uma metrópole marcada por intensas transformações urbanas, a arte emerge como um testemunho essencial. É nesse contexto que a exposição "CIDADE POSTAL – Pinturas de Gladys Maldaun" se apresenta, estabelecendo um diálogo profundo entre a produção artística, a memória urbana e as contínuas mudanças no coração da capital paulista.

Gladys Maldaun retorna com mais de 20 obras, incluindo pinturas, aquarelas e pastéis, a mostra oferece um panorama das paisagens urbanas, monumentos, estações ferroviárias, fábricas e cenas cotidianas que delinearam a cidade ao longo das últimas décadas. A escolha do Centro Cultural Olido, na Sala Mario Pedrosa, para abrigar a exposição, confere uma camada adicional de significado. Localizada em uma região central que passa por um importante processo de revitalização, a galeria se torna um ponto de encontro entre passado e presente, onde as obras de Gladys Maldaun permitem ao visitante compreender as permanências e transformações que atravessam São Paulo, reforçando o papel da ocupação cultural na construção de novos vínculos com o centro da cidade.

Os trabalhos expostos revelam uma São Paulo observada com sensibilidade e precisão. Peças como "Praça Ramos", "Viaduto do Chá", "Construção do Metrô", "Plataforma dos Trens", "Fábricas do Brás", "Beirando a Estação" e "Estação dos Trens – Brás" destacam a vitalidade dos espaços de circulação, trabalho e convivência que forjaram a identidade paulistana. As obras dedicadas à região do Brás revelam ainda um olhar atento para territórios historicamente ligados à imigração, ao trabalho e à formação industrial da capital, registrando espaços que hoje atravessam processos acelerados de transformação urbana. Em contraponto, trabalhos como "Porões e Poesias" e "Ousadia da Artista" introduzem uma perspectiva mais subjetiva e afetiva sobre a experiência de viver na cidade.

“Viaduto do Chá” por Gladys Maldaun (Foto: J.Mantovani.)

Gladys Maldaun, nascida em 1943, possui uma trajetória artística robusta, desenvolvendo pesquisas em desenho, pintura, pastel e aquarela desde o início da década de 1960. Sua formação inclui estudos com mestres como Lubra, Amadeo Scavone e Chen Kong Fang, além de aprofundamento na Escola Superior de Belas Artes de San Fernando, em Madri. Seu trabalho, predominantemente figurativo e frequentemente realizado in loco, tornou-se um importante documento visual da cidade, registrando bairros operários, transformações urbanas e espaços em risco de desaparecimento, especialmente na região do Brás. Ao longo de décadas, a artista construiu uma espécie de cartografia afetiva de São Paulo, transformando cenas cotidianas em testemunhos visuais da memória coletiva paulistana.

Com curadoria de Barbara Ivo de Freitas, produtora cultural, a exposição propõe uma reflexão sobre memória urbana, patrimônio e transformação da cidade, aproximando o olhar de Gladys Maldaun das discussões contemporâneas sobre revitalização e ocupação cultural do centro de São Paulo.

“Estação dos Trens - Brás” e “Construção do Metrô” por Gladys Maldaun (Foto: J.Mantovani.)

A exposição também dialoga com debates contemporâneos sobre revitalização urbana, preservação do patrimônio e reocupação cultural do centro de São Paulo. Ao reunir cenas de circulação, trabalho e convivência registradas ao longo de décadas, as obras de Gladys Maldaun evidenciam não apenas as transformações físicas da cidade, mas também as camadas afetivas, sociais e simbólicas que compõem a experiência urbana. Nesse contexto, "CIDADE POSTAL" convida o público a revisitar São Paulo não apenas como espaço físico, mas como território de experiências, histórias e pertencimento.

Gladys Maldaun com sua série “Praça Ramos I e II”, 1903  (Foto: J.Mantovani.)

A realização da mostra no Centro Cultural Olido reforça ainda o papel das artes visuais como instrumento de aproximação entre memória e cidade contemporânea, reafirmando a cultura como elemento fundamental na preservação da identidade urbana e na reocupação simbólica dos espaços centrais da capital paulista.

Serviço:

Exposição: CIDADE POSTAL – Pinturas de Gladys Maldaun

 

Abertura: 30 de maio de 2026, a partir das 11h

 

Período de visitação: 30 de maio de 2026 a 04 de julho de 2026

 

Local: Centro Cultural Olido – Galeria Olido | Sala Mario Pedrosa

 

Avenida São João, 473 – Centro Histórico, São Paulo/SP

Entrada gratuita

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